História de Uma Alma por Santa Teresinha do Menino Jesus

19/10/2019

Olá,

Que a paz esteja contigo e com a sua família! Estamos de volta para compartilhar como você, uma obra marcante na literatura católica. Uma obra, que, pela singeleza nas palavras, nas ações descritas e, especialmente, nos testemunhos registrados, nos leva a concluir que a santidade é a consequência prática do amor vivido. Um amor que abre mão das coisas consideradas "grandes", para viver o essencial. E este essencial, por sua vez, possui uma finalidade: o Céu. Portanto, nesta postagem, o Clube da Leitura Católica se propõe a compartilhar com você algumas linhas sobre o livro "História de Uma Alma" de Santa Teresinha do Menino Jesus. Esta obra que há mais de cem anos vem despertando corações para a vivência do amor a Deus, através de uma pequena via da infância espiritual, expressa pela Santa, é um insistente convite aos católicos para que retomem o contínuo caminho de conversão.  

OBRA

A "História de uma alma" foi escrita pela própria Santa Teresinha do Menino Jesus e publicado um ano após sua morte. Mas, somente em 1907, foi que se juntou pela primeira vez um resumido anexo das graças mais notáveis obtidas por intercessão da Santa. A partir desse momento, "a pequena onda de caridade, soltando-se da sua timidez, transforma-se numa verdadeira chuva de rosas, dando ocasião a que a autoridade eclesiástica, sob a impressão destes fatos, proceda à nomeação de um postulador e de um vice-postulador que promova a Causa da Beatificação de Sóror Teresinha do Menino Jesus".

ESTRUTURA

Esta edição publica em 2018, pela (Minha Biblioteca Católica), possuem 353 páginas, além de uma sessão especial com fotos, retratando alguns momentos vividos pela Santa. O livro está subdivido em 12 capítulos, tendo na parte final o epílogo e os conselhos e lembranças. No capítulo I, Teresinha emite as primeiras notas de um cântico de amor, intercalando-as com recordações dos seus dois aos quatro anos de idade. No capitulo II, entre os relatos destacam-se a morte de sua mãe, o amor paterno, a primeira confissão e a visão profética. Nos capítulos XI e XII, respectivamente, entre outras reflexões, Santa Teresinha ressalta sua confiança em Deus, o descanso no amor, a infância sublime, um apelo a todas as "almas pequeninas", o calvário e o voo para o Céu.

"É da mais alta importância que a alma se exercite muito no Amor, para que, consumindo-se rapidamente, se detenha pouco sobre a terra, e vá quanto antes ver a Deus face a face", São João da Cruz.

CONTEXTO

Percebendo que Teresinha, apesar da fragilidade física, possuía uma refinada memoria, capaz de recordar acontecimentos dos primeiros anos de vida, a sua irmã Paulina, agora Madre Inês de Jesus, pede que ela ocupe uma parte do seu tempo no Carmelo com a escrita destes fatos. Por isso, diz Santa Teresinha, logo no inicio do capitulo I "querida Madre, minha Mãe por duplo título, venho confiar-lhe a historia da minha alma". E acrescenta: "no dia em que veio pedir esta história, passou-me pela mente que se iria dissipar com isso meu coração; mas deu-me logo Jesus a sentir que era do seu agrado que obedecesse com simplicidade".

Santa teresinha do Menino Jesus
Santa teresinha do Menino Jesus

CITAÇÕES

"Habituara-me, por exemplo, a não soltar nem uma queixa quando me tiravam o que era meu; ou então, quando me acusavam injustamente, preferia calar-me a alegar a menor desculpa", (Pág. 24).

"Fez-me Jesus compreender que a única e verdadeira glória é a que há de durar para sempre, e que, para alcançarmos, não é preciso praticarmos ações retumbantes, mas esconder-nos às vistas de todos e ainda aos nossos próprios olhos, de modo que não saiba a nossa mão esquerda o que fizer a direita", (Pág. 62).

"Apesar disso, continuo a sentir sempre a mesma audaciosa esperança de vir a ser uma grande santa, fiada não nos meus méritos, que nenhum tenho, mas n'Aquele que é a Virtude mesma e a Santidade mesma, o qual só, contentando-Se com os meus pequenos esforços, me há de levar às regiões onde paira, revestir-me dos seus merecimentos e fazer-me santa", (Pág. 63).

"Desgraçadamente o mundo sempre acha manhas para aliar as alegrias da terra com o serviço de Deus, vivendo completamente esquecido da morte", (Pág. 63).

"O que posso dizer é que me consagrei com todas as forças à Santíssima Virgem, pedindo-lhe, com todo o fervor, que me tomasse debaixo da sua proteção; e parece-me que ela olhou amorosamente para sua filhinha e lhe sorriu de novo, como lhe sorrira visivelmente quando curara livrando-a da morte", (Pág. 69).

"Não, sinto que não é possível unir-se intimamente com Deus um coração dominado por afetos terrenos. Aí estão a atestá-lo tantas almas que eu vi fascinadas por esta falsa luz precipitarem-se nela como pobres mariposas, queimarem as asas, e só depois de esfarrapadas e feridas voltarem a Jesus, fogo divino que arde sem consumir", (Pág. 73).

"Em nenhuma conta terei daqui em diante os meus mesquinhos interesses, com o pensamento só na grandeza e no poder de Deus: a Ele só quero amar, sem me rebaixar e prender-me com ninharias, entrevendo, como realmente entrevejo, o prêmio que Ele tem reservado aos que deveras o amam", (Pág. 109).

"Eu me convenci por experiência que a única felicidade do homem na terra consiste em se esconder e em ignorar totalmente as coisas criadas, e que, sem amor, todas as obras, por mais grandiosas que sejam, não passam de puro nada", (Pág. 157).

"O elevador em que hei de subir ao Céu são os vossos braços, ó meu Jesus! Para isso não preciso crescer; pelo contrário, tenho que ser pequena, tornar-me cada vez mais pequenina", (Pág. 169).

"Demos gosto a Jesus, salvando-lhe almas com os nossos sacrifícios. Sobretudo sejamos pequeninas, tão pequeninas que todos nos possam calcar aos pés, sem parecer que os sentimos e sem que isso nos dê pena", (Pág. 303).

"Com os mártires parecemos mártires; com os doutores seremos como os doutores; com as virgens seremos como as virgens; e assim como os membros de uma família se orgulham uns dos outros, assim nos orgulharemos todos de sermos irmãos uns dos outros, sem sombra de inveja ou inimizade", (Pág. 310).

"Tenhamos sempre à mão a espada do espírito para a repreendermos das suas faltas: não toleremos, a troco de conservarmos a nossa paz e tranquilidade; combatamos sem tréguas, ainda que tenhamos perdido a esperança da vitória", (Pág. 345).

Teresinha e seus pais Luís e Zélia  Martin
Teresinha e seus pais Luís e Zélia Martin

AUTORA

Maria Francisca Teresa Martin nasceu em Alençon, França, no dia 2 de janeiro de 1873, cercada de grande afeto e educada pelos pais, Zélia e Luís Martin, segundo sólidos valores cristãos. Foi batizada dois dias depois do nascimento, tendo como madrinha a irmã mais velha, Maria (1860-1940), que depois se tornaria irmã Maria do Sagrado Coração. Teresa era a caçula de cinco irmãs, todas as quais se dedicaram à vida religiosa. Além de Maria, havia Paulina (1861-1951) ­ futuramente, madre Inês de Jesus; Leônia (1863-1941) ­ depois irmã Maria Francisca Teresa; e Celina (1869-1959) ­ mais tarde irmã Genoveva da Sagrada Face.

Após inúmeros obstáculos, foi autorizada a entrada de Teresa para o Carmelo pelo bispo de Bayeux, no dia 28 de dezembro de 1887. Porém a priora do Carmelo de Lisieux, madre Maria de Gonzaga, determinou que o ingresso se desse somente depois da Quaresma. Assim, em 9 de abril de 1888, quando era celebrada a festa da Anunciação, a Florzinha branca finalmente realizou o seu sonho.

No dia 10 de janeiro de 1889, Teresa recebeu o hábito da Ordem. No início de 1895, por determinação de madre Inês de Jesus, Teresa dá início aos escritos que futuramente comporão o livro História de uma alma, que resume a vida e a doutrina da Santa das Rosas. A obra, publicada um ano após sua morte, já foi traduzida em 58 idiomas e é responsável por várias histórias de conversão em todo o mundo.

Santa Teresinha morreu no dia 30 de setembro de 1897. Teresa foi beatificada em 29 de abril de 1923 e canonizada em 17 de maio de 1925, pelo Papa Pio XI, que a proclamou padroeira universal das missões, ao lado de São Francisco Xavier, em 14 de dezembro de 1927.

NOTA: Estas informações foram retiradas do site Basílica Santa Teresinha. A biografia completa da Santa pode ser acessada neste link: https://bit.ly/2IXC1in.

IMPRESSÃO PESSOAL

Fiel à sua história, Teresinha relata na primeira parte do livro, as tristezas e alegrias da infância. Por vezes, embora já exista alguns sinais místicos, a pequena Teresa se apresenta como uma menina mimada, ressaltando com frequência a dependência, mesmo nas pequenas coisas, dos seus familiares. Esta dependência, que em muitas ocasiões lhe priva de tomar iniciativas, aos poucos, vai sendo superada. E essa superação se dá pelo reconhecimento da sua pequenez e pela entrega total a Nosso Senhor Jesus Cristo, tendo como intercessora a Santíssima Virgem Maria.

APRENDIZADO

Santa Teresinha do Menino Jesus nos ensina com a própria vida, que fazer - se pequeno, é o caminho mais seguro para santificação e para salvação de almas. Ela nos ensina que nas pequenas coisas, nos pequenos atos, nos pequenos gestos, aqueles que ninguém nota a não ser você e Deus, reside um mistério que pode nos levar ao Céu. Podemos entender como pequenos atos ou gestos: um bom dia, boa tarde, boa noite, um sorriso, um olhar atento, uma escuta interessada e, claro, a renúncia de pequenos hábitos que nos impede de progredir na vida de oração. Isso nos faz lembrar os dois desejos expressos no coração de Teresinha: 'viver o céu fazendo o bem na terra' e fazer 'cair uma chuva de rosas sobre a terra'.

CONSIDERAÇÕES

Chegamos ao final da nossa pequena jornada. Foi, certamente, uma ocasião de aprendizado e de renovação espiritual, restaurando em nosso ser a certeza de que também podemos alcançar a santidade. Este pequeno caminho que percorremos foi preparado exclusivamente para você! Por certo, Deus lhe inspirou e pela graça de Deus você chegou até aqui. Você pode ter acesso a leitura desta e de outras obras tornando-se assinante do Clube da Leitura Católica ou se preferir pode fazer a aquisição deste livro, como bem pessoal, nas melhores livrarias católicas do Brasil. O importante, e, eis aqui o nosso propósito, é que você não se limite apenas a este post... queira mais, busque mais, viva mais... o amor, pelo qual Deus nos amou!

Por Daniel Jorge