Militante, restaurando o catolicismo autêntico por Michael Voris

08/03/2020

Nossa saudação de paz a você e a sua família! Já faz algum tempo que passamos por aqui para compartilhar com você um pouco das nossas joias preciosas. Nessa labuta em que vivemos, às vezes, somos sufocados pelos afazeres diários e terminamos sufocando ações que podem edificar a nós mesmos e o nosso semelhante. Bom, vamos ao que interessa! Vamos falar de livro, de aprendizado, de missão, de desafio, de espiritualidade, do nosso ser católico, enfim, vamos falar de esperança.

O livro de hoje promete mexer na ferida daqueles que se utilizam da Igreja Católica para promoverem e propagarem suas ideologias macabras. Esta obra, também exorta de forma singular os católicos que desejam viver a ortodoxia da fé, para que superem a mornidão em que se encontram e passem a atuar, dando cumprimento a uma exigência de primeira ordem - o ser Católico Militante. Portanto, o livro que passamos a descrever a partir de agora é de autoria do apologeta norte-americano Michael Voris e tem como título: Militante: Restaurando o catolicismo autêntico.   

OBRA

Esta obra é a primeira de uma trilogia, escrita por Michael Voris. Se utilizando de recortes históricos e determinantes para Igreja Católica, com foco na realidade Americana, Voris aborda com uma riqueza de detalhes o problema do modernismo, aponta os vários grupos que influenciam o processo de destruição da Igreja, e indica como um católico pode contribuir (com a parte do clero que ainda não se corrompeu), neste processo de restauração do catolicismo autêntico.

De acordo com Voris, "qualquer católico que pretenda restaurar a identidade católica autêntica, seja ele clérigo, religioso ou leigo, deve sempre manter isso em mente e estar pronto para empregar como sua primeira arma essa pura realidade: 'Jesus Cristo foi crucificado por não ser legal'". Neste sentido, o autor enfatiza após a análise do declínio do catolicismo nos últimos 50 anos nos Estados Unidos, que é necessária uma ação militante por parte do católico. É interessante perceber, que o livro diz muito daquilo que vivenciamos no nosso cotidiano aqui na América Latina, especialmente, em nossa realidade brasileira.

ESTRUTURA

A edição que compartilhamos aqui, foi publicada em 2019 pela Editora CDB, após uma campanha financeira que contou com a participação de 359 pessoas. O livro possui 314 páginas e está subdividido, além do prólogo e da introdução, em 21 capítulos.

O primeiro capítulo tem como tema central "A Igreja Militante", com ênfase em três aspectos essenciais: a Igreja Triunfante, a Igreja Padecente e a Igreja Militante. No segundo capítulo é destacada a "Crise singular", tendo em vista o fato de não existir outra na história da civilização com características semelhantes. Voris à caracteriza como sendo "uma crise irreconhecível".

Para poupar o meu e o seu tempo, vou descrever um pouco dos últimos dois capítulos do livro. No penúltimo capÍtulo intitulado "A Igreja dos Legais", Voris enfatiza categoricamente que "a Igreja dos Legais está levando as almas ao inferno por um método duplo: o primeiro método é distorcendo a verdade e o segundo é não corrigindo o erro".

No último capítulo, intitulado "Povo escolhido, uma nação sagrada", Michael Voris apresenta uma citação atribuída ao Servo de Deus Fr.John Hardon que diz: "qualquer católico que não esteja comprometido com o trabalho da evangelização pode nunca chegar a ter uma séria esperança de alcançar a Visão Beatífica".

CONTEXTO

A análise desenvolvida por Michael Voris tem como pano de fundo os acontecimentos que influenciaram negativamente a Igreja católica, de forma particular nos Estados Unidos, a partir da década de 1960. Neste período a Fundação Rockefeller (ainda pouco conhecida por aqui), estava a todo vapor com o Conselho Populacional, criado em 1952, por John D. Rockefeller III.

Voris aponta que no rastro da Revolução Protestante do século XVI, surge na década de 60 a aceitação do sexo fora do casamento, a produção e distribuição da pílula anticoncepcional, as previsões incorretas de uma superpopulação feita pelo professor Paul Ehrlich, o feminismo radical, os movimentos homossexuais, o culto a Mãe Terra, o culto a Gaia, enfim, "uma cultura inteira estava submergindo no feminino, inclusive o masculino", explica.

Todos esses acontecimentos se davam a partir de uma visão social pluralista, que passava a rejeitar o transcendente e se apoiar apenas no imanente. Dentro desse contexto a igreja "deixaria de ser militante e se tornaria uma Igreja descolada".

O autor explica ainda que "nos anos posteriores ao Vaticano II, a Igreja foi preparada e impelida a aprofundar o colapso pelos mesmos homens que celebravam o Rito Antigo, pois aceitaram em seus seminários homens mais fracos e feminizados, deram-lhes cargos importantes e até negligenciaram o surgimento de um ambiente homossexual entre esses homens cada vez menos masculino".

Vale ressaltar que foi neste ambiente dominado pelo feminismo radical, onde cresceram os bispos que hoje estão à frente da Igreja Católica na América. E são eles que estão testemunhando, e, por vezes, contribuindo com o declínio acelerado da Santa Igreja.

Michael Voris aponta em vários momentos que em nome do social, os clérigos foram aos poucos deixando de lado o transcendente. Como consequência se instaurou a conivência com o controle de natalidade, o loby homossexual, o feminismo radical, o aborto, a cultura hippe, a arquitetura terrível e a arte insossa.

Voris conclui que "a convulsão da década de 1960 simplesmente permitiu que os revolucionários saíssem do esconderijo e explorassem o caos social a fim de promover sua própria agenda: o controle da Igreja".

CITAÇÕES

"Um católico, um verdadeiro católico, entende que essa é a única atitude adequada que podemos adotar na luta espiritual - a atitude de completa destruição do inimigo: Satanás", (Pág. 44).

"O papel da Igreja Militante é lutar contra o que é diabólico, é ser a força militar que invade o território inimigo, usando o poder da Cruz e do Crucificado para libertar as pessoas do jugo da opressão do Inferno", (Pág. 48).

"O principal pecado do católico contemporâneo é o da mornidão. E é esse pecado que a Igreja Militante deve combater com o máximo vigor", (Pág. 50).

"A história humana se desenvolve de uma maneira que é determinada e baseada na seguinte verdade: somos seres espirituais em busca da verdade, da bondade e da beleza", (Pág. 60).

"A devastação espiritual é caracterizada por ser capaz de manter aprisionados para sempre os vencidos e seus descendentes. Uma coisa é um corpo conquistado; outra, completamente diferente, é uma alma conquistada. Um corpo pertence à ordem natural e, portanto, morre. Uma alma pertence à ordem sobrenatural e, portanto, vive eternamente", (Pág. 61).

"A esperança sobrenatural é a aliada mais forte que um bispo pode ter no combate à heresia", (Pág. 154).

"O foco da Igreja dos Legais é o povo, não Deus", (Pág. 193).

"O universalismo é a heresia, condenada explicitamente pela Igreja em tempos e lugares repetidos. Agora a heresia se transformou em uma muito mais palatável. Em vez de transgredir diretamente o ensinamento da Igreja declarando como fato que todos os homens são salvos, a versão mais recente simplesmente insinua que todos os homens são salvos", (Pág. 203).

"A suposição teologicamente errônea de que temos uma razoável esperança de que todos os homens são salvos é um engano inteligente, porque cria a ilusão na mente do ouvinte. A ilusão é que o homem culpado do pecado "comum" passa a acreditar que o único pecado é o pecado "grande" - com o qual, obviamente, ele não tem nada a ver. Ele é, portanto, auto-absolvente, o que explica a queda maciça na administração do sacramento da confissão", (Pág. 204).

"Uma vez que a Santa Comunhão possa ser administrada a um tipo de pecado público, então seria manifestamente injusto negá-la a outro tipo", (Pág. 243).

"Assim como foram os fiéis leigos que se recusaram a aceitar a heresia dos bispos que apoiaram o arianismo no quarto século, também a oposição a heresia modernista, aceita por tantos bispos hoje, deve proceder dos leigos, tendo como objetivo que a hierarquia acabe assumindo e tomando a liderança", (Pág. 276).

"O que os modernistas conseguiram fazer é criar um ambiente, em conformidade com as questões da masculinidade fraca, do feminismo radical e assim por diante, em que a suprema "virtude", é nunca ofender", (Pág. 281).

"A Igreja dos Legais está diminuindo e tornando-se ineficaz porque é morna, composta de almas mornas, nos bancos e no santuário. Tudo que é morno ao final torna-se frio e apodrece", (Pág. 298).

"O amor das almas é a única identidade que um católico precisa, porque a partir dessa única verdade tudo flui. Todos os sacrifícios, insultos, martírios, alegrias, exultações, pensamentos, orações, ações - tudo isso será vivido a partir do amor pelas almas. Não há maior caridade do que esforçar-se para salvar uma alma das garras do Inimigo", (Pág. 306).

"O caminho para acabar com a crise na Igreja, para sustá-la e reverter seus efeitos diabólicos, para restabelecer a identidade católica autêntica, é ser santo", (Pág. 307).

"A graça é Deus dando a nós o que não merecemos. A misericórdia é Deus não nos dando o que merecemos. A justiça é Deus dando a nós o que merecemos", (Pág. 314).

AUTOR

Michael Voris é o fundador e presidente da St. Michael's Media/church Militant TV, uma mídia especializada na defesa da fé católica, onde ele produz conteúdos escritos e programas para internet.

Nascido no ano de 1961, Voris é formado em comunicação pela Universidade de Notre Dame. Ele foi repórter de televisão, âncora e produtor na CBS News. Voris recebeu quatro prêmios Emmy por excelência em jornalismo de Radiodifusão.

Michael Voris também possui Bacharel em Teologia Sagrada e é reconhecido como maior apologeta norte-americano vivo. Voris voltou a fé católica de sua infância em 2004, após a morte de sua mãe Anne, ocorrido no dia 15 de junho de 2004, em decorrência de um câncer no estomago.

Pouco antes de morrer, sua mãe, fiel a fé católica, lhe disse "Michael, não quero ir para o Céu sabendo que você está no Inferno". Logo após a morte de sua mãe, durante o funeral, Voris se pôs de joelho e disse a si mesmo e a sua mãe: "Mãe, aquilo que a senhora sofreu por mim não será em vão. Sou um novo homem".

IMPRESSÃO PESSOAL

O primeiro impacto que tive ao tomar conhecimento do livro foi causado pelo título: Militante. Confesso que essa não é uma expressão comum utilizada em nossos dias, especialmente nos grupos pastorais em que tenho contato. É possível que a minha impressão inicial tenha se dado pelo conceito negativo atribuído a palavra militante.

Ao começar a leitura, fui logo encontrando respostas para muitos dos meus questionamentos a respeito do conteúdo do livro. É, sem dúvida, um livro instigante, provocativo, desafiador que nos propõe repetidas vezes, a necessidade de uma ação católica ativa. Ao final da leitura, tive a plena convicção da necessidade de outras pessoas tomarem conhecimento das informações e reflexões contidas nesta obra.

APRENDIZADO

Das muitas coisas que aprendi neste livro, destacam-se a necessidade de uma ação católica militante, a importância em diferenciar a doutrina católica do ensinamento protestante, o compromisso inegociável com a verdade, a decisão para salvar almas e a oposição incessante à Igreja dos Legais em atos e palavras. Por fim, compreendi que o combate do Católico Militante, se dá essencialmente no campo espiritual, e assim, somente assim, se reflete positivamente no campo social.

CONCLUSÃO

Chegamos ao final desta postagem com o sentimento de dever cumprido, por estar compartilhando com você, uma das obras mais representativas dos nossos dias. E esta representatividade não se dá apenas pela análise dos problemas identificados pelo autor, mais, especialmente, pela lucidez com que ele chama a atenção dos pastores e leigos para o retorno ao catolicismo autêntico.

Reafirmamos que o nosso desejo é que você ouse ir além desta resenha, adquirindo esta obra nas livrarias ou tornando-se membro do Clube da Leitura Católica para ter acesso a leitura do livro físico que indicamos aqui. Para ampliar esta iniciativa, propomos a criação de grupos de leitores com até 12 pessoas, e, juntos, percorrerem este itinerário, que vai muito além de uma simples leitura de um livro, mais de uma fonte segura de conhecimento e espiritualidade que pode nos conduzir ao Céu.

Por Daniel Jorge


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