O Calvário e a Missa do Venerável Fulton J. Sheen

02/10/2019

Olá,

Minha saudação de paz a você e a sua família! Nesta breve publicação, me proponho compartilhar com você, uma síntese desta pequena/grande obra do arcebispo Americano Venerável Fulton J. Sheen, que nos apresenta de forma iluminada e iluminadora uma série de reflexões que estimula o leitor a exercitar a inteligência e perceber a riqueza espiritual contida na Santa Missa. Digo, 'perceber a riqueza espiritual', com base no fato de que muitas vezes, o fiel católico vai à Missa como a um outro evento qualquer. E com essa percepção vaga do que é a Sagrada Eucaristia, perde a oportunidade de alcançar as graças num encontro singular com Nosso Senhor Jesus Cristo. 

OBRA

O livro "O Calvário e a Missa" (1936) é de autoria do arcebispo Americano Fulton J. Sheen (1895 - 1979). Esta edição que compartilho como você, foi traduzida por Marta de Mesquita da Câmara e publicada pela Minha Biblioteca Católica no ano de 2018. É uma profunda exortação aos católicos, no sentido de conhecerem, mesmo que 'parcialmente' o significado deste mistério, e, assim, poder testemunhar o Cristo com a própria vida.

ESTRUTURA

Esta edição possui 79 páginas, divididas da seguinte forma: entre as páginas 05 e 13 temos o prólogo e o restante do livro está subdivido em sete partes. Somos inicialmente chamados a refletir sobre a "Confissão"; em seguida sobre "O Ofertório"'; na terceira parte é apresentada uma breve, mais, profunda exortação sobre o "Sanctus"; na sequencia somos motivamos a refletir sobre a "Consagração"; já na quinta parte, o tema apresentado é "A Comunhão"; para em seguida ser desenvolvida uma reflexão sobre o "Ite, Missa Est"; por fim, Fulton Sheen propõe uma reflexão sobre o que chama de "O Último Evangelho".

CONTEXTO

Logo no prologo, o autor chama a atenção para uma realidade do cotidiano Americano, especialmente, no contexto entre guerras em que o livro foi escrito. Ele destaca a bravura dos soldados que vão à guerra, e que por vezes, são mortos nas lutas que travam em defesa do seu País. Diz Sheen: "o amor dos soldados que sacrificaram suas vidas pelo seu País é também demasiadamente belo para que deixemos cair no esquecimento, por isso, prestamos homenagem a sua memória".

Na sequência, o arcebispo Sheen fundamenta sua exposição, apresentando um acontecimento que marcou a vida da humanidade. A este fato, ele chama de "maior benção", se referindo, claro, ao nascimento de Jesus em forma humana. Este acontecimento, diz ele: "é demasiadamente belo para ser esquecido". No entanto, afirma Fulton Sheen "o ato mais sublime da história de Cristo foi sua morte". Esta afirmação de Sheen nos faz recordar logo de inicio que o fundamento da nossa fé cristã tem como ponto de partida o sacrifício da Cruz.

A partir da afirmação de que a morte de Cristo foi o ato mais sublime, o Venerável Fulton Sheen acrescenta: "se, portanto, a morte foi o principal momento para o qual Cristo viveu, ela foi também à única coisa pela qual Ele quis ser lembrado". E conclui: "para que essa memória não fosse entregue ao acaso das narrativas humanas, Ele próprio instituiu a maneira como devia ser lembrado. Essa memória foi instituída na noite anterior a sua morte e, desde então, se chamou 'A Última Ceia'".

CITAÇÕES

"A morte de Jesus revela a suprema depravação do pecado, mas tem também a marca do perdão divino", (Pág. 18).

"Só no Calvário podemos encontrar o perfeito conhecimento da divina contradição do pecado perdoado", (Pág. 19).

"Assim como não podemos ouvir as melodias e palavras que pairam no ar, a não ser que liguemos os rádios-receptores, também as nossas almas só podem sentir a alegria eterna da divina exclamação "perdoai-lhes", acorrendo ao confessionário, onde nos será dado ouvir a divina palavra proferida do alto da Cruz", (Pág. 21).

"A maior tragédia da vida humana não é, precisamente, aquilo que às almas acontece, mas sim aquilo que lhes falta", (Pág. 21).

"Quanto mais conhecemos o que somos, mais convicto diremos como o bom ladrão: 'Eu mereci esta cruz'", (Pág. 28).

"Mulher eis aqui o teu filho... Eis aqui a tua mãe! Por estas palavras: Maria desprendia-se da maternidade da carne, para se prender mais à grande maternidade do espírito. Daí o emprego da palavra 'Mulher'. Ela havia de fazer de nós outros tantos cristos, porque fora ela quem criara o Filho de Deus. Só Maria podia transformar-nos em criaturas santificadas, dignas de pronunciar o Sanctus, Sanctus, Sanctus da Missa do Calvário", (Pág. 33).

"Em todas as circunstâncias da nossa vida, nossa Mãe Santíssima vela por nós, pois ela vê em cada um dos seus filhos a criança inocente da Primeira Comunhão, o pecador penitente, encaminhando-se para Cruz, o coração despedaçado, suplicando que a água da vida dissipada se transforme no vinho do amor de Deus", (Pág. 40).

"Para se transformar em pão, o grão tem de ser moído, e as uvas têm de ser esmagadas, para se transformarem em vinho e, assim, representam os cristãos, que são chamados a sofrer com Cristo, para que um dia possam também alcançar o Reino dos Céus", (Pág. 45).

"Devemos, pois, levar conosco, para a Mesa da Eucaristia, o espírito de sacrifício, a mortificação da inferioridade do nosso ser, as cruzes suportadas com paciência, a crucificação do nosso egoísmo, a morte da nossa concupiscência, e, inclusivamente, a nossa falta de merecimento para receber a Comunhão", (Pág. 54).

"Tudo quanto foi dito e feito durante a Santa Missa, deve acompanhar-nos, para vivermos o Sagrado ato, para praticarmos e aplicarmos em todas as circunstancias da nossa vida diária", (Pág. 65).

O AUTOR

O bispo Americano Venerável Fulton J. Sheen nasceu em 08 de maio de 1895. Ele ficou muito conhecido por suas pregações na televisão e no rádio. Sua maneira de pregar a Palavra de Deus lhe permitiu converter milhares de pessoas, incluindo muitas pessoas famosas. Sheen é autor de 73 livros e vários trabalhos acadêmicos. É considerado o maior comunicador do século XX. O Bispo Sheen tinha o dom de comunicar a palavra de Deus na forma mais pura e simples. A Revista Time se referiu a ele em 1946 como "Voz de ouro".

O Venerável Fulton Sheen ganhou o seu maior elogio em outubro e 1979, quando o Papa João Paulo II abraçou-o na Catedral de São Patrício em Nova York. O Papa lhe disse: "Você tem escrito e falado muito bem do Senhor Jesus. Você é um filho fiel da Igreja". Com esse lindo aviso o Bispo Sheen foi para a vida eterna em 09 de dezembro de 1979, falecendo de doença cardíaca. Em 14 de Setembro de 2002 a Congregação para as Causas dos Santos abriu oficialmente a causa do Arcebispo Sheen e lhe concedeu o título de "Servo de Deus". E atualmente está em curso o processo para sua canonização.

LIVROS

Segue a relação com alguns dos livros de autoria do Venerável Fulton Sheen: Deus e Inteligência em Filosofia Moderna (1925); As sete últimas palavras (1933); Filosofia da Ciência (1934); O Eterno Galileu (1934); Calvário e a Missa (1936); A Cruz e as bem-aventuranças (1937); Sete Palavras de Jesus e Maria (1945); O comunismo e a consciência do Ocidente (1948); Caminho para a Felicidade (1953); Caminho para a Paz Interior (1955); Vida de Cristo (1958); Missões e a crise mundial (1963).

NOTA: As informações sobre o autor (bispo Fulton Sheen) e a relação de alguns dos livros de sua autoria, foram retiradas do blog www.santosebeatoscatolicos.com.

IMPRESSÃO PESSOAL

Com base nesses dois pontos de reflexões apresentados por Fulton Sheen, podemos antecipar uma conclusão óbvia: "O Calvário e a Missa", reserva um alimento espiritual indispensável ao católico do nosso tempo. A leitura deste livro nos faz perceber, a partir da ênfase dada pelo autor, que a "Missa é o maior acontecimento da história da humanidade; o único ato Sagrado que afasta a ira de Deus de um mundo pecador, porque eleva a Cruz entre a terra e o Céu, renovando assim, aquele decisivo momento em que a nossa triste e trágica humanidade viu desenrolar-se na sua frente o caminho para a plenitude da vida sobrenatural". Nesta obra, podemos perceber ainda, que a cruz é inevitável ao cristão, pois ou celebramos nossa Cruz e nos salvamos ou fugimos dela e nos condenamos.

APRENDIZADO

São muitos os ensinamentos que ficam ao final da leitura de um livro como "O Calvário e a Missa". Alguns ensinamentos produzem entendimento imediato, outros só conseguimos compreender ao longo da caminhada. Entre os ensinamentos, destacam-se: uma maior compreensão dos fundamentos da nossa fé cristã; o significado da Santa Missa para o cristão; e a reverencia com que o cristão deve participar deste ato santificante.

CONSIDERAÇÕES

Desde já, muito obrigado pela sua atenção! Esse é o nosso jeito, Clube da Leitura Católica de compartilhar indicações de livros.

Por Daniel Jorge