Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem de S. Luís Maria Grignion de Montfort

04/11/2019

Olá,

Que a paz esteja contigo e com a sua família! A obra que compartilhamos com você nesta publicação possui um significado singular para Igreja e todos que desejam percorrer um caminho de santidade. Reconhecida pela Igreja, esta obra foi recomendada e seguida por figuras de uma elevada espiritualidade como São Pio X e São João Paulo II.

É importante destacar, que o método ensinado no Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, não foi inventado por São Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716), (embora, tenha sido escrito por ele), mas, pelo próprio Cristo, conforme narrado no evangelho: "Jesus vendo a mãe e, perto dela, o discípulo a quem amava, disse à sua mãe: 'Mulher, eis teu filho'. Depois disse ao discípulo: 'Eis aí tua mãe'", Jo 19.

Assim, toda a narrativa desenvolvida no Tratado se fundamenta neste principio evangélico. Portanto, tomar posse dessa herança é nos consagrarmos sem reservas à Mãe de Deus e nossa.  

OBRA

O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem foi escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort no ano de 1712. Neste período São Luís Maria teve uma visão e a descreve assim: "Antevejo, claramente, que feras raivosas hão de acometer em fúria para estraçalhar com seus dentes diabólicos este livreto e a ferramenta usada pelo Espírito Santo para escrevê-lo, ou ao menos farão com que fique escondido nas sombras e no silêncio de um caixão, para impedi-lo de ver a luz do dia", (Pág. 80 Nº 114).

Foi exatamente isso que aconteceu. O Tratado ficou desaparecido por pelo menos 130 anos, quando foi descoberto no ano de 1842, em um baú, por um padre montfortino, quando fazia pesquisas nos arquivos da congregação. A partir daquele ano, teve início as publicações chegando aos nossos dias, permitindo que o maior número de pessoas tivesse acesso a piedade mariana descrita nesta obra.

ESTRUTURA

Esta edição publicada em 2018, pela (Minha Biblioteca Católica), possuem 251 páginas, e está dividida, além da introdução e do apêndice no final, em sete capítulos. Os dois capítulos iniciais, compondo a primeira parte do livro destacam a necessidade da devoção a Nossa Senhora, e, em que consiste essa devoção. Já os dois capítulos finais ressaltam os efeitos maravilhosos e as práticas particulares desta devoção. Por fim, no apêndice, são apresentados os exercícios espirituais preparatórios à consagração solene conforme o método de São Luís Maria Grignion de Montfort.

CONTEXTO

Durante o período que esteve no seminário, São Luís, que já cultivava uma profunda devoção a Santíssima Virgem Maria, decidiu criar uma associação dos escravos de Maria. Com esta ação, já surgiram às primeiras críticas, sendo taxado por vezes, de exagerado. Pelas circunstâncias, o padre Louis Tronson, superior de Saint-Sulpice, onde estudava o jovem seminarista, aconselhou que os integrantes da associação passassem a serem chamados de "escravos de Jesus em Maria" e, foi exatamente, esta expressão que ganhou destaque quando foi escrito o Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem.

Após sua ordenação sacerdotal em 5 de junho de 1700, dia de Pentecostes, São Luís Maria segue com sua ação missionária. Acontece, que o seu modo de evangelizar despertou ciúmes, intrigas e até perseguições. Diante da situação, São Luís decidiu ir a pé a Roma para falar com o Papa Clemente XI. Nessa visita, o Papa lhe conferiu o título de Missionário Apostólico.

O Santo ainda pediu que o Pontífice concedesse indulgência plenária a todos que tocasse seu Crucifixo de marfim na hora da morte, "pronunciando os nomes de Jesus e Maria com contrição dos seus pecados". Encorajado pela benção papal, São Luís converteu populações inteiras, mudou costumes licenciosos no campo, nas cidades e aldeias, restaurou capelas e combateu o espírito jansenista, tão disseminado na época.

Fonte: Arautos do Evangelho

CITAÇÕES

"Contudo, declaro também que, tomando nós as coisas tais como são, uma vez que Deus achou por bem iniciar e levar a cabo Suas maiores obras por meio da Santíssima Virgem, e isto desde que a criou, podemos supor, com razoável certeza, que Ele não haverá de alterar o Seu plano nos tempos vindouros (Rm 11,29), pois é Deus e, portanto, não altera Seus pensamentos ou seu modo de agir", (Pág. 19).

"Deus Pai transmitiu a Maria Sua fecundidade, tanto quanto uma mera criatura era capaz de recebê-la, para lhe dar o poder de conceber o Seu Filho e todos os membros de Seu corpo místico", (Pág. 20).

"Jesus rendeu mais glória a Deus Pai submetendo-Se a Sua Mãe por trinta anos do que tê-lo-ia feito se houvesse convertido o mundo inteiro à força dos mais portentosos milagres", (Pág. 21).

"Isto quer dizer que o Espírito Santo escolheu, sim, usar a Santíssima Virgem, ainda que absolutamente não precise dela, a fim se tornar fecundo de fato e produzir Jesus Cristo, e Seus membros nela e por meio dela. Eis aí um mistério da graça ignorado até mesmo por muitos dos cristãos mais sábios e espirituais", (Pág. 22).

"Esta é, de fato, a vontade de Deus, que decretou que tenhamos todas as coisas por meio de Maria, de maneira que, se fazendo a si mesma pequena e humilde, e se escondendo nos abismos do nada durante toda sua vida, pudesse ser enriquecida, exaltada e honrada pelo Deus Todo-Poderoso. Eis aí o que pensam a Igreja e os Padres da Igreja", (Pág. 23).

"Todos os Seus filhos verdadeiros têm Deus por pai e Maria por mãe; qualquer um que não tenha Maria por mãe não pode ter Deus por pai", (Pág. 26).

"Um sinal infalível e inconfundível pelo qual podemos distinguir um herege e um homem de falsa doutrina, em suma, um inimigo de Deus, de um dos Seus verdadeiros amigos, é que o herege e o pecador empedernido só farão mostrar desprezo e indiferença para com Nossa Senhora", (Pág. 26).

"A formação e a educação dos grandes santos que hão de vir no fim dos tempos estão reservadas a ela, pois apenas esta virgem singular e portentosa é capaz de produzir em união com o Espírito Santo coisas singulares e portentosas", (Pág. 29).

"Se a devoção à Virgem Santíssima é coisa necessária a todos os homens pura e simplesmente para que se consiga a salvação, é ainda mais necessária àqueles chamados a uma perfeição especial. Não creio que alguém possa obter uma união íntima com Nosso Senhor e fidelidade perfeita ao Espírito Santo sem ter uma união íntima com a Santíssima Virgem e uma dependência absoluta de sua ajuda", (Pág. 33).

"Há três tipos de escravidão: escravidão natural, escravidão forçada e escravidão voluntária. Todas as criaturas são escravas de Deus no primeiro sentido, pois 'a terra e tudo quanto nela há pertence ao Senhor" (Sl 23,1). Os demônios e os condenados, no segundo sentido. Os santos no céu e os justos na terra o são no terceiro sentido. "A escravidão voluntária é, dos três estados, o mais perfeito", (Pág. 55).

"Eis aí o que se faz nesta devoção que lhes estou apresentando. Renunciamos ao diabo, ao mundo, ao pecado e a nós mesmos, como mostrado no ato da consagração, e nos entregamos por completo a Jesus, por meio de Maria. Nesta devoção, damo-nos de maneira pessoal e livre, sempre perfeitamente consciente do que estamos a fazer", (Pág. 95).

"'Minha velhice há de ser encontrada na misericórdia do ventre' (Sl 91,11). Segundo a interpretação mística de tais palavras é no ventre de Maria que as pessoas jovens amadurecem na luz, na santidade, na experiência e na sabedoria, e num curto tempo alcançam a plenitude da idade de Cristo. Pois foi o ventre de Maria que encerrou e produziu um homem perfeito. Este mesmo ventre carregou Aquele a que todo o universo não pode nem encerrar, nem conter", (Pág. 116).

"Uma razão pela qual pouquíssimas almas chegam à plenitude da idade de Jesus é que Maria, agora e sempre Mãe de Deus e esposa fecunda do Espírito Santo, não está bem formada nos seus corações. Se quisermos um fruto maduro e perfeitamente formado, temos que possuir a árvore que o dá. Se desejamos o fruto da vida, Jesus Cristo, temos de possuir a árvore da vida, que é Maria. Se queremos o Espírito Santo a trabalhar dentro de nós, temos de possuir a Sua esposa fiel e inseparável, Maria", (Pág. 123).

"A fé da Virgem inflama os mornos e faz surgir o ouro do amor fervente; restaura a vida aos mortos pelo pecado; comove e transforma corações de mármore e cedros do Líbano por meio de argumentos gentis e convincentes", (Pág. 165).

"Santo Agostinho, a falar de Nossa Santíssima Senhora, diz: 'Sois digna de seres chamada o molde de Deus'. Maria é o molde capaz de formar pessoas à imagem do Deus-homem. Qualquer um que seja lançado neste molde divino sem demora toma a forma e é moldado em Jesus, e Este nele. A custo baixíssimo, e tempo menor ainda, se há de tornar como Cristo, uma vez que foi posto mesmíssimo molde que formou um Deus-homem", (Pág. 169).

O AUTOR

São Luís Maria Grignion de Montfort nasceu em 31 de Janeiro de 1673, em Montfort, na Bretanha francesa. Com 11 anos entrou no colégio jesuíta de Rennes e nele recebeu sólida formação humana e espiritual. Decidiu ser padre para dedicar-se à evangelização dos povos estrangeiros, socorrer os pobres e proclamar o Reino de Jesus Cristo por Maria. Em Julho de 1706, São Luís Maria vai a pé a Roma para ser recebido pelo Papa Clemente XI e confirmar sua vocação missionária. Montfort tornou-se um grande missionário, que se destacou pela sua devoção a Virgem Maria.

Fundou a Congregação dos Missionários Monfortinos, das Filhas da Sabedoria e dos Irmãos de São Gabriel. Também escreveu vários livros, dos quais destaca-se o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem. Nesse Livro, São Luís apresenta seu método de consagração a Jesus Cristo pelas mãos da Virgem Maria, que foi a consagração de São João Paulo II e tantos outros santos.

São Luís Maria morreu em 28 de Abril de 1716, aos 43 anos, depois de ter realizado mais de 100 missões populares. Foi canonizado pelo Papa Pio XII, em Roma, a 20 de Julho de 1947. Foi um missionário itinerante, zeloso na evangelização dos pobres. Levava sempre a Bíblia, o crucifixo e o rosário, que resumem sua experiência espiritual e a sua mensagem: conhecer e amar a Virgem Maria para conhecer e amar o Cristo.

Fonte: Pe. Amílcar José Alves Tavares

IMPRESSÃO PESSOAL

O Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem é uma obra que toca profundamente nosso coração, nos fazendo perceber o quando andamos distante do princípio evangélico, 'Eis aí tua mãe', sintetizado na Virgem Maria. Portanto, consagrar-se a Santíssima Virgem Maria, antes de ser uma ação limitante, é uma ação libertadora, que conduz nossa alma a eternidade.

APRENDIZADO

São Luís Maria Grignion de Montfort é muito claro quando se refere ao combate que todos os consagrados a Virgem Maria irão enfrentar para se manterem fieis a Nosso Senhor Jesus Cristo em Maria. Diz São Luís em sua visão: "Atacarão e perseguirão aqueles que o lerem e o puserem em prática. Mas não importa! Tanto melhor! Esta visão me encoraja e me dá a esperança de um grande sucesso, isto é, um esquadrão de bravos e destemidos soldados de Jesus e de Maria, de ambos os sexos, para combater o mundo, o demônio e a natureza corrompida, nos tempos perigosos que virão". Assim, ao consagrar-se a Virgem Maria, faz-se necessária essa maturidade. Pois, num primeiro momento surge um combate interior e no segundo momento um enfrentamento exterior. E por vezes, ambos podem acontecer ao mesmo tempo.

CONSIDERAÇÕES

Com esta postagem, estamos dando mais um passo da nossa ação missionária de compartilhar com exclusividade resenhas de grandes tesouros da Literatura Católica. O nosso desejo é que você ouse ir além desta resenha, adquirindo este livro nas livrarias ou tornando-se membro do Clube da Leitura Católica para ter acesso a leitura do livro físico que indicamos aqui. Para ampliar esta iniciativa, propomos a criação de grupos de leitores com até 12 pessoas, e, juntos, percorrerem este itinerário, que vai muito além de uma simples leitura de um livro, mais de uma fonte segura que pode nos conduzir ao Céu.

Por Daniel Jorge